Como treinar a percepção de cores — o que o treino muda e o que não muda
Até onde a discriminação de cores melhora com treino? Reunimos pesquisas sobre aprendizagem perceptiva e categorias de cor, dicas para aproveitar o modo treino e como comparar seus resultados do jeito certo.
A percepção de cores mistura uma parte inata e uma parte que se desenvolve. Algumas condições não mudam, como os tipos de cones e sua sensibilidade, mas o que você observa e como compara melhora com a prática.
O que o treino muda
Na psicologia, a melhora na discriminação sensorial com treino repetido se chama aprendizagem perceptiva, e a cor não é exceção. Özgen e Davies (2002) mostraram que, ao ensinar a adultos uma nova fronteira entre categorias de cor, a discriminação melhorava perto dessa fronteira.
Também há relatos da influência da língua. O russo tem nomes básicos diferentes para o azul-claro e o azul-escuro, e Winawer et al. (2007) observaram que falantes de russo distinguem mais rápido pares de azuis que cruzam essa fronteira. Isso indica que o hábito de dar nomes para distinguir pode influenciar a velocidade da discriminação.
A experiência profissional age de forma parecida. Operadores de impressão e técnicos de acerto de cor conseguem dizer rapidamente em que direção uma cor desviou (mais avermelhada, mais suja), mas isso tem menos a ver com olhos melhores e mais com uma estratégia de comparação mais refinada.
O que o treino não muda
Alterações congênitas da visão de cores, em que falta um tipo de cone ou sua curva de sensibilidade está deslocada, não se corrigem com treino. Óculos especiais podem aumentar o contraste de algumas cores, mas não tornam a visão de cores normal. As mudanças do cristalino com a idade também não são algo que se treine.
Como aproveitar o modo treino
- Treine só o grupo mais fraco: escolha no seletor de grupos do modo treino o grupo indicado como mais fraco na tela de resultado e repita.
- Treine perto do seu limite: no modo treino você sobe um nível quando acerta e desce um quando erra. Assim a dificuldade fica naturalmente perto do seu limite, que é a faixa de treino mais eficiente.
- Estratégia de varredura: olhe a grade inteira de uma vez para achar o quadrado que destoa; se ficar em dúvida, compare linha a linha com os vizinhos. Encarar um único quadrado por muito tempo faz o olho se adaptar àquela cor, e a diferença acaba ficando mais apagada.
- Descreva em palavras: pergunte-se mentalmente se o quadrado diferente está mais claro, mais sujo ou puxado para qual cor em relação à referência. É um treino para dar nome às diferenças.
- Pouco tempo, com frequência: com os olhos cansados, a percepção cai. Faça sessões de até 10 minutos e descanse olhando para longe.
Para comparar resultados do jeito certo
- Compare apenas resultados feitos no mesmo aparelho, com o mesmo brilho e sob iluminação parecida.
- Observe a tendência ao longo de várias rodadas, mais do que um resultado isolado. O modo desafio tem uma boa dose de sorte.
- A comparação entre grupos de cores só é confiável quando há questões acumuladas suficientes (10 ou mais por grupo).
Atenção
Se, mesmo treinando, você tiver uma dificuldade grande e persistente com vermelhos e verdes ou com azuis e amarelos, faça um exame padronizado de visão de cores com um oftalmologista. Este teste não é um diagnóstico médico.
Referências
- Özgen, E., Davies, I. R. L. (2002). Acquisition of categorical color perception. Journal of Experimental Psychology: General 131(4), 477–493
- Winawer, J. et al. (2007). Russian blues reveal effects of language on color discrimination. PNAS 104(19), 7780–7785